Escritora e estrategista financeira transforma conhecimento em uma proposta de educação financeira para mulheres que desejam assumir o protagonismo sobre dinheiro, investimentos e construção de patrimônio
O universo dos investimentos ainda é percebido por muitas mulheres como um ambiente complexo, técnico e distante da realidade cotidiana. Foi justamente para aproximar o público feminino desse mercado e estimular uma mudança de comportamento que Cynthya Benevides decidiu transformar sua experiência profissional em conhecimento compartilhado por meio de um livro.
Administradora de Empresas, com MBA em Gestão Pública e Desenvolvimento Local e formação em Educação Financeira, Wealth Planner e Consultoria Financeira, a escritora e estrategista financeira encontrou na literatura uma maneira de ampliar uma missão que considera essencial: transformar mulheres em protagonistas de suas próprias histórias financeiras e incentivá-las a se tornarem investidoras.
A trajetória de Cynthya é marcada pela busca por conhecimento em diferentes áreas relacionadas à gestão, planejamento e finanças. Sua formação acadêmica e profissional contribuiu para que desenvolvesse uma visão ampla sobre a relação das pessoas com o dinheiro e, especialmente, sobre os obstáculos que ainda afastam muitas mulheres das decisões financeiras. Para ela, o crescimento da participação feminina no mercado de capitais demonstra que existe um movimento importante em curso, mas também revela que ainda há um longo caminho a percorrer.

Segundo dados apresentados pela autora, em 2016 havia cerca de 130 mil mulheres investidoras pessoa física na Bolsa. Atualmente, esse número chegou a aproximadamente 1,73 milhão. Apesar do crescimento expressivo, Cynthya chama atenção para a distância que ainda existe entre a população feminina e o universo dos investimentos. “Minha missão é encurtar essa distância, tornar o conhecimento financeiro mais simples e acessível e desmistificar a ideia de que investir é algo difícil, complicado ou reservado a especialistas ou a quem possui grandes cifras”, explica.
É dessa inquietação que nasce a proposta da obra. Mais do que ensinar conceitos financeiros, o livro busca provocar uma mudança de percepção. A intenção é fazer com que mulheres que ainda observam o mercado de investimentos de fora passem a compreender que também podem ocupar esse espaço, tomar decisões e construir patrimônio. A autora deseja que a leitora consiga olhar para o mercado financeiro e reconhecer que investir pode fazer parte de sua própria trajetória.
A provocação começa pelo próprio título da obra. A palavra “bolsa” carrega um significado muito próximo do cotidiano feminino. É um acessório que acompanha mulheres em diferentes momentos da vida e que, muitas vezes, guarda objetos, histórias, escolhas e elementos que representam sua identidade. Ao estabelecer essa relação com a Bolsa de Valores, Cynthya cria uma aproximação leve e, ao mesmo tempo, questionadora. A mensagem é direta: a Bolsa de Valores também pode ser um espaço ocupado por mulheres.
A partir dessa associação, surge uma reflexão que ultrapassa o investimento financeiro: o que as mulheres estão carregando para o futuro? Apenas despesas, responsabilidades e preocupações ou também planejamento, patrimônio, segurança e liberdade? Para Cynthya, essa pergunta é importante porque o planejamento financeiro não deve ser visto apenas como uma atividade matemática, mas como uma ferramenta para transformar sonhos em objetivos e objetivos em realizações.
O lançamento do livro ocorreu em 21 de agosto, na Livraria Leitura, em uma noite que a autora descreve como memorável. O momento representou a concretização de um projeto que começou como sonho e ganhou forma com o apoio de pessoas que participaram de diferentes etapas da construção da obra. Cynthya destaca especialmente a mentoria de Patrícia Ribeiro e o trabalho realizado pela Editora Impactante, que, segundo ela, foram fundamentais para que o projeto chegasse ao público.
“Foi um momento de muita gratidão a Deus ao apresentar o resultado de um sonho que encontrou as pessoas certas para torná-lo real”, afirma Cynthya. Para ela, olhar para o livro pronto significou também reconhecer todo o percurso percorrido até a publicação. O contato com o público durante o lançamento trouxe ainda uma percepção importante: havia curiosidade e interesse genuínos em conhecer melhor o universo dos investimentos e compreender de que maneira as mulheres podem se inserir nele.
Entre os desafios identificados pela autora está justamente a sensação de falta de clareza. Muitas mulheres acumulam funções, responsabilidades profissionais e familiares e acabam priorizando aquilo que é urgente em detrimento do que é importante. Sabem que precisam organizar a vida financeira, mas nem sempre encontram direção para começar. Nesse cenário, falar sobre dinheiro de forma acessível se torna uma ferramenta de transformação.
Cynthya também propõe uma reflexão sobre o futuro. O tempo continuará passando independentemente das decisões financeiras tomadas no presente. Por isso, ela questiona se o futuro que cada mulher deseja está sendo efetivamente construído hoje. A existência de uma reserva financeira, o planejamento de longo prazo e a construção de patrimônio podem representar não apenas números, mas também segurança e liberdade diante de imprevistos e escolhas futuras.
Para a escritora, planejamento financeiro não se resume a planilhas, cálculos ou números. Trata-se, principalmente, de uma decisão. Decidir sonhar, planejar, construir e realizar. É essa mudança de perspectiva que ela espera provocar nas leitoras. A proposta é que, ao terminar a leitura, a mulher não apenas tenha adquirido mais conhecimento sobre investimentos, mas se sinta capaz de tomar decisões melhores sobre o próprio dinheiro.
A transformação desejada por Cynthya está diretamente ligada ao protagonismo. Ela quer incentivar mulheres a romperem limites, deixarem de ocupar apenas a posição de espectadoras e passarem a se reconhecer como investidoras capazes de construir patrimônio, segurança e liberdade. Em uma sociedade na qual as decisões financeiras ainda podem ser concentradas em poucas mãos, ampliar o acesso à informação representa também ampliar possibilidades de escolha.
O livro, portanto, surge como um convite para que mais mulheres olhem para sua relação com o dinheiro de uma maneira diferente. A provocação está na bolsa que deixa de ser apenas um acessório e passa a simbolizar também patrimônio, planejamento e futuro. Ao aproximar linguagem, conhecimento e realidade cotidiana, Cynthya Benevides procura mostrar que o mercado financeiro pode, sim, ser um lugar para mulheres, independentemente de quanto dinheiro elas tenham hoje.
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